quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Independentemente do que diga o seu confiável Timex" - Parte Um

Olhou para o relógio e este anunciava em grandes números brilhantes - três horas da manhã.
Ela lentamente se levantou da cama, balançando a cabeça incompreensiva, esfregando os olhos incrédulos.
Lera em algum lugar sobre isso, a ilusão de horário humana.
"Agora é noite, e a hora é nenhuma".
Fosse o que fosse, era tarde.
Ela era uma mulher alta e magra, muito branca, branca até à anemia.
Seu nome era Charlotte.
De pronto, olhou para o quarto escuro, detentor dos seus poucos bens materiais, em busca do papel -oh, aquele papel era tão importante para ela quanto sua vida, até mais.
Pegou-o sobre um livro qualquer, talvez até o mesmo em que tivesse lido aquela frase.
"Agora é noite, e a hora é nenhuma".
Vestiu-se rapidamente das vestes negras sem se preocupar com o banho - havia tomado um antes de ir dormir.  Prendeu os negros cabelos num coque arrojado, primando a mobilidade.
Saiu do quarto e olhou o corredor escuro.
A menina Charlotte - Charlie, na escola - tinha medo de escuro. Tinha medo daquilo que ganhava vida e forma na escuridão, do que podia, no escuro, rastejar para fora de seu úmido esconderijo em busca de presas. Mas a Charlotte adulta não tinha medo do escuro.
Já havia visto coisas demais para temer o escuro.
Portanto, começou a andar pelo apartamento, indo até a cozinha, localizando suas chaves, e finalmente se dirigindo até a porta.
Abriu a porta e saiu.

- - - - - -

Nenhum ônibus roda as três da manhã, tampouco algum pedreste, mas carros? Sim, havia muitos carros na ruas àquele horário.
Havia, portanto, uma ambulância insuspeita parada na frente do prédio, esperando-a.
"Entre", disse o motorista, e ela entrou, sentando-se ao seu lado.
Ao volante, havia um homem que não se apresentara, vestindo uma roupa completamente preta e um quepe que lhe escondia a testa toda.
"Pegou papel?", perguntou.
"Claro que sim, não esqueceria dele por nada".
"Então deixe-me ver"
Ele se virou para pegar o papel na sua mão, e, por um instante, a luz da rua iluminou toda a sua face, e Charlotte teve certeza de ter visto algo na sua testa, a que o quepe escondia, algo brilhante - enervante.
"Tem idéia de que horas são, mulher?, não me faça perder tempo!".
Foi quando ela se tocou de que estivera parada olhando para o lugar onde segundos antes esteve a testa do homem, e logo voltou a si com um leve chacoalhar de cabeça.
"Agora é noite, e a hora é nenhuma", pensou em dizer, mas ficou calada, e apenas entregou-lhe o papel.
"Muito bem, muito bem, você fez seu dever de casa
"Agora vamos ao trabalho".
Ele começou a manobrar a ambulância rapida e habilmente, enquanto Charlotte recostava a cabeça e observava o leve fluxo de carros da madrugada.
Nenhum deles disse nada por cerca de vinte minutos, até que houve um buraco de quê o motorista não pode se desviar, fazendo com que a ambulância caísse nele com um estrondo.
Ela ouviu coisas se revirando na parte de trás da ambulância, sem se preocupar com o barulho - certamente não havia ninguém por lá.
Então ela ouviu um grunhido.
Ela se virou e olhou pela janela que dava para o compartimento anterior do veículo.
Estava escuro, e não havia, afinal, nada para ser visto. Mas ela sentiu algo lá.
Sentiu um par de olhos a encarando com nada mais do que puro desprezo. Algo horrível, a olhando no escuro. Algo que sabia demais.
O motorista soltou um suspiro.
"Não há nada aí atrás, essa é só uma ambulância roubada, tudo bem?
"Não há nada aí".
Charlotte voltou rapidamente à posíção original e balançou a cabeça, concordando avidamente.
Naquele momento, ela começara a se perguntar sobre o escuro e o que ele esconde.
Se não temê-lo era a escolha certa.
"OK, garota, esta é a sua hora", o homem disse.
"Hã?"
"Chegamos, querida".
Ela assentiu com a cabeça, voltando a si. Tirou o cinto de segurança e abriu a porta.
Pôs um pé, depois o outro, na calçada da noite fria, iluminada pelos postes de luz.
Fechou a porta, e ouviu a ambulância ir embora.
Foi tomada por um súbito desejo de ver as horas, então levantou o pulso esquerdo e olhou o relógio prata.
Ele estava fazendo um barulho estranho, como se algo dentro dele tivesse quebrado.
Iluminados pela luz branca dos postes, os ponteiros do relógio estavam andando para trás e para frente num movimento desregrado.
Ela abaixou o pulso, se arrependendo de não ter trago nenhum celular.
"Quem quer que tenha escrito aquilo estava certo", falou em voz baixa.
"Agora é noite, e a hora é nenhuma".

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Rainha-Mariposa - Parte Três e Final


Espero que tenham gostado de lê-lo o quanto eu gostei de escrevê-lo :)

Acordou, e estava no céu. Na forma mais literal da palavra.
Voando acima das nuvens, carregado por aquela mulher, seguido por uma procissão de borboletas. Nem sentia mais os ferimentos. As asas dela batiam silenciosamente no ar, como vitrais vivos.
Ela riu um pouco, pois os seus cabelos castanhos e cacheados tinham caído no rosto de Rodrigo.
Ele levantou a cabeça, rindo com ela.
“Melissa, aonde vamos?”.
“Vamos a um lugar especial”, disse, “um jardim secreto”.
Ele pensou naquilo, enquanto via as nuvens passarem correndo por baixo de si.
Viam-se manchas de verde aqui e ali, surgindo furtivas entre o branco imaculado das nuvens. À frente, nada mais além do horizonte azulado, perpassado por algumas nuvens que subiam em colunas áureas. Tentou não olhar para baixo, mas era impossível se conter.
As borboletas seguiam calmamente atrás e ao lado deles.
“E é longe?”, perguntou, inseguro.
“Nem tanto.”, disse ela, rindo “Mas vamos dar uma guinada para cima agora! Segure-se!”.
Ele tentou reclamar, dizer que já estava sentindo vertigens àquela altura, que achava melhor que se mantivesse lá, mas os braços fortes da garota já o tinham apertado, e suas asas já trabalhavam rapidamente numa subida brusca, e suas palavras se perderam no vento forte.
As borboletas também subiram alto com eles.

– – – – –

Melissa voou com Rodrigo até um ponto em que não havia mais nuvens acima deles. Estavam voando acima de um compacto tapete de nuvens.
O sol parecia estar perto demais, e a luminosidade se tornava insuportável. Rodrigo teve que fechar os olhos e tapá-los com uma das mãos, enquanto Melissa dizia algo que não conseguiu ouvir.
”O que disse?”.
“Eu?”, perguntou a linda jovem, “Nada... Só reparei o quanto é bonito aqui em cima”.
Ele riu alto.
“Eu não posso ver nada, mas aposto que é muito bonito mesmo...
“Onde estamos indo, Melissa?”.
Ela ficou calada, e Rodrigo percebeu que já perguntara demais.
Relaxou, e só aproveitou a viagem, calmamente deslizando para um sono sem sonhos.
O sonho que ele tinha já estava com ele.


Quando acordou, Melissa chamou-lhe a atenção com um pequeno chacoalho.
“Vamos descer”.
Ele abriu os olhos e viu que ainda era manhã, e que pouco tempo havia se passado desde que caíra naquele sono cansado e estranho. “Deve ser a falta de oxigênio”, pensou.
Ela se inclinou para baixo, juntamente com todas as outras borboletas, e ele logo estava de cabeça para baixo no ar, descendo como um torpedo. As asas curvando-se numa flecha nas costas de Melissa; seus longos e castanhos cabelos puxados pelo vento.
Eles entraram numa nuvem cinza, e, como uma flecha, saíram de lá.
Viu o verde do chão se formando rapidamente no mundo branco de nuvens.
Viu uma grande clareira.
Um jardim.
Borboletas.
Ela se curvou subitamente de novo, e então estavam de pé, as asas dela batendo levemente, com eles pairando no ar até que aterrissassem.
Ele caiu no chão de costas, e logo se sentou. Ela ficou de pé na sua frente.
Por um momento, apenas se olharam.
Então, ele tomou conhecimento do que havia ao seu redor.
Era realmente um jardim secreto.

– – – – – –

Era lindo.
Flores por todo lado, grama, árvores. Insetos, abelhas, beija-flores, borboletas.
Bancos de pedra aqui e ali, para que casais pudessem sentar e namorar, envoltos por todo aquele espetáculo.
Rodrigo logo reconheceu aquele cenário.
“Eu... Eu conheço esse lugar”, disse, “Eu vinha aqui todas as quartas-feiras. Minha mãe me levava, quando eu era bem pequeno, lá na nossa terra natal, aqui na Bahia.
“Eu costumava sentar aqui mesmo, e tentava pegar as borboletas.
“Minha mãe sentava e observava, sorrindo para mim de quando em quando.
“Mas ela morreu há muito tempo, e tive que ir para Salvador, morar com o meu pai.
“Não vinha aqui há anos”.
Ela sorriu para ele, e deu dois passos à frente, ficando bem no centro do grande jardim.
“Você sente saudades disso aqui, não é?”.
Ele concordou com a cabeça, chorando um pouco.
Ela se curvou e apoiou as mãos nos joelhos, como faria com uma criança.
“Você ficaria aqui para sempre, não ficaria?”.
Chegou seu rosto mais perto do dele, e ele se levantou, mantendo a curta distância entre os dois.
“V-v-v-você faria isso?”, perguntou ele, com grandes olhos lacrimejantes.
“Tudo o que você quiser, meu amor”.
“Você é realmente um anjo” ele sorriu, entre lágrimas.
“Apenas... Deixe-me... Uma coisa...”.
“Qualquer coisa”.
“Qualquer coisa?”.
“Não interessa o quê”.
Ela chegou mais perto. Os olhos verdes se fincando nos dele, hipnotizando-o.
Abriu a boca numa conhecida expressão de beijo. Ele não hesitou, e chegou mais perto também.
À sua volta, o mundo perdeu luz. Não era mais manhã.
O mundo perdeu cor e forma. Não era mais um jardim colorido. Não era mais uma clareira.
O mundo adquiriu sua forma concreta. E não era bonita.
Um posto de gasolina à noite.
Cinco corpos desfigurados jogados num canto.
Rodrigo não notou nada daquilo. Somente avançou no beijo mortal.
A cada segundo que passava, a cada movimento que aquela criatura angelical fazia, a pele dela se rasgava como papel. Uma ilusão desfeita, como um truque revelado no fim do show de mágica.
Primeiro as pernas, antes sempre envoltas por aquele vestido rosa fraco, despontaram pouco a pouco como pedaços obscenos que deveriam ter ficado para sempre debaixo daquele vestido. Marrons e de formas duras, como pernas de insetos.
Os braços rasgaram aquela pele macia, branca, perfeita, e deles – e de boa parte do torso – saíram quatro braços cujas terminações não eram as bem cuidadas mãos de Melissa, mas puras garras, um deles com uma longa ponta ossuda, como uma espada natural dela.
As costas dela explodiram rapidamente, e as lindas asas de borboletas caíram no chão juntamente aos restos de pele, e delas saíram duas longas asas.
Não asas ornamentadas e bem-trabalhadas, como as antigas.
Asas toscas e marrons, escurecidas, e sem forma.
Asas de mariposa.
Por fim, o rosto e os cabelos finalmente se desfizeram no ar, aquele sorriso sincero no rosto de beleza incomum saindo como uma máscara que encobria algo que nem nos piores pesadelos alguém poderia ter visto – e era bem isso o que ela era.
O corpo que aquele ser que se parecia com uma mariposa humanóide – ou, como Rodrigo viria a chamá-la internamente, A Rainha-Mariposa – chamava de Melissa havia desparecido por completo, juntamente com toda a doçura que jamais tivera. E Rodrigo teria sido apenas mais um na lista dela, se não percebesse o golpe a tempo de pular para trás.
Pulou para trás e viu o horror em forma de inseto formando diante dos olhos.
Sua cabeça não era nem de longe o mais horrível naquele corpo deformado. O torso todo segmentado, com uma espécie de fluido entre as fendas articulatórias. Os quatro braços, a garra enorme e ossuda que saía de uma das mãos que aquela criatura tinha. As pernas igualmente blindadas caídas livremente pelo corpo suspenso no ar, flutuando pelas enormes asas de inseto.
Rodrigo rastejou para trás, temendo que o bicho se aproximasse. Olhou para os lados e viu que o que até então pensara ser borboletas, eram mariposas grandes e marrons, voando por todos os lados. Subitamente, soube de onde vinha o fedor que o deixara tão deprimido.
Girou-se num pulo e começou a correr com todas as forças que tinha. Olhou os corpos espalhados pelo posto de gasolina e tentou não pensar se seu fim seria parecido com o daquelas pessoas.
“Mas ela só os matou, não os comeu”, pensou, tristemente – a certeza de que ela queria comê-lo.
A mariposa-rainha voou atrás dele, enquanto ele tentava se esconder na loja de conveniência do posto.
“Aquela pele... Aquele rosto, aquela beleza estranha... Não passava de um casulo? A lagarta faminta arranjando uma presa para comer após a saída daquele invólucro de ilusões?”, pensou, enquanto suas mãos nervosas abriam seu caminho até a lojinha de conveniência.  Caiu lá dentro como se o chão tivesse acabado de repente, e começou a rastejar até atrás de algumas prateleiras.
Tremendo de medo, ouviu a mariposa gigante quebrando as vitrines e a porta de vidro, seguida por uma nuvem de mariposas que invadiram o lugar.
A criatura soltou um grunhido sem forma e adentrou a loja, suas asas destruindo tudo à sua volta, e fazendo o ar inteiro amolecer com suas rajadas de vento.
Rodrigo se encolheu de medo. Que mais podia fazer? A mariposa era implacável, e ele tinha fugido para o único lugar sabem-se lá quantos quilômetros de casa.
Ele começou a chorar baixinho no seu canto escondido, sentindo os olhos da mariposa perscrutando a loja, à procura do jantar fugitivo.
Levantou os olhos e viu uma das centenas de mariposas que empestavam o lugar voando e olhando para ele.
“Não, amiguinha, não faça nada!”, pensou, mas a mariposa voou embora, voou até sua líder insana.
A lança ossuda do braço da Rainha-Mariposa perfurou completamente a estante em que se apoiava, bem ao seu lado.
A estante se levantou no ar, sacudida pelo braço-lança, e Rodrigo se viu completamente indefeso. Virou-se para a monstruosidade que estava tomando a paisagem e decidiu correr. Não sabia para onde, mas devia correr, devia aproveitar a chance única em que ela estava ocupada.
E ele correu.
Passou por debaixo das asas esvoaçantes da Rainha-Mariposa.
Rolou até as bombas e caiu no chão. A mariposa estava de volta, livre da estante.
Ela veio rapidamente, com um ar de quem já havia cansado de perseguir o oponente. Rodrigo se pôs de pé, enquanto via um dos braços da mariposa – o que tinha a lança de osso – se levantar e se preparar para o ataque, como um cavaleiro numa justa contra um inimigo desarmado.
“Uma chance”, pensou.
Na sua cabeça, a contagem regressiva começou.
3.
2.
1.
O braço da mariposa atacou de uma só vez, e Rodrigo se colocou atrás de uma das bombas.
Como uma flecha, o braço atravessou a bomba de gasolina por inteira.
Chegou em Rodrigo, que caiu para trás e começou a se afastar rapidamente.
A despeito do sangue que fluía rapidamente da sua barriga, ele conseguiu se afastar o suficiente da Rainha-Mariposa, agora brigando contra a bomba, presa firmemente no chão.
“Ó, bom Deus, se está aí, que o dono do posto tenha esquecido a bomba ligada”, pensou.
A mariposa gritou, e arrancou a bomba do chão com tudo, num último ato de glória, levantando-a no ar como um troféu, o cheiro rançoso de gasolina se espalhando pelo ar enquanto a mesma derramava-se sobre a rainha-inseto.
Sentiu nos bolsos, e viu que o isqueiro continuava lá. Riu um pouco.
Acendeu a chama e o atirou com tudo em cima da criatura.
Incendiou a gasolina no chão e na própria mariposa. A bomba explodiu numa bola de fogo que tomou conta de toda a visão.
Rodrigo talvez tivesse se queimado naquele fogo, mas isso pouco importava para ele.
“QUEIME NO INFERNO, SUA DESGRAÇADA!”, gritou com todas as forças, apreciando a vista da Rainha-Mariposa gritando e queimando, se autodestruindo, e queimando toda a legião de mariposas que a seguiam.
Deixou a cabeça cair no chão, deitado na areia do acostamento da estrada, esquecendo os sons do ambiente. Chegou a ouvir a doce voz de Melissa clamando por ajuda no meio do fogo. Ignorou-a até onde pôde, mas ela continuou chamando e gritando, e ele achava que aqueles gritos iam enlouquecê-lo.
Outra bomba finalmente explodiu, e foi o fim de toda aquela gritaria.
Rodrigo ficou deitado no chão, calmo e tranqüilo.
Sentia frio e sono.
“Aonde será que estou?”
Deixaria isso para depois.
De fato, só o que ele queria fazer agora era dormir.
Dormir e não sonhar mais.
Não com borboletas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

The Morning Gazette

Edição especial de lançamento \o/
Nesta edição você vai ter acesso ilimitado a três ou quatro parágrafos de pura falta do que fazer!

Ok, gente, sem exagero, não vai ser tão trash assim, ok?
Os motivos que me levaram a escrever isso aqui são bem simples, na verdade. Eu queria falar sobre as minhas expectativas, sobre o dia que havia vindo, sobre o dia que ainda havia de vir, tentando inutilizar mais algum pedacinho da sua manhã (cabe algo entre dormir e não fazer nada, né?).
ENFIM
Minhas expectativas para hoje são dúbias.
Parte de mim queria adiar isso por mais uma semana, outra parte já não via a hora de voltar.
E, olha só, aqui estou eu, escrevendo algo sobre o que eu acho que vá se passar na escola! Não vai ser um dia ruim, eu acho, só um dia mais ou menos. Como sempre, muita gente vai se abraçar e se beijar, mas eu acho que nem isso vai durar muito, pois a maioria das pessoas se manteve em contato durante esses vinte dias.
Acho que algum professor vai passar atividade, acho que eu vou passar o dia lembrando que não fiz absolutamente nada de OPEE (só os testes online, que são fáceis e práticos).
Enfim, hoje eu vou tentar dar forma à história em que pensei ontem, vou tentar me organizar para o novo semestre.
Ficou até curto, não? Mas superou minhas expectativas, de fato.
Tenham um bom dia!

domingo, 31 de julho de 2011

July, the 31st

E hoje é o último dia de férias.
"O" último dia.
A partir de amanhã, a vida vai ser bem diferente.
corridacorridacorrida.
Hoje eu vou cortar o cabelo, coisa que negligenciei nas últimas duas semanas.
Vou conversar no msn com meus amigos e dizer para mim mesmo "é, Matheus, acabaram as férias".
Não que eu tenha curtido as férias especialmente, claro.
Tendo que ir ao curso de férias (o que eu adorei, btw), eu não pude nem passar um noite acordado vendo tv/lendo/assistindo algum filme, e a minha semana de folga foi a semana passada, e, nela, eu não fiz n-a-d-a.
Blame it on me, though, eu poderia ter saído ontem, mas meu programa não deu certo, então ontem à noite a única coisa que eu fiz de especial foi ver Saturday Night Live (com Elton John) - o que não foi legal, porque os pilantras da Sony cortaram boa parte do programa.
Meu estudos... Bem, deixem meus estudos para lá por enquanto. Basta saber que foi um mês bastante produtivo para o meu russo - melhorei meu vocabulário, minha pronúncia, minha gramática, et cetera.
Para o inglês, este também foi um mês bastante legal - mas isso vocês já sabem.
Para qualquer outra coisa - tá bom, tá bom, eu não fiz nada de mais, só estudei umas quatro vezes, mais por culpa do que por força de vontade!
"Cabeça vazia é oficina do Diabo".
E ele fez a festa nesse mês.
Hoje à noite eu vou preparar um mega-material revisatório para mim, de russo, então, se algum de vocês, leitores-fantasmas, me vir estudando e respondendo questões amanhã, já saberá o que é.
Tive uma idéia fantástica hoje, mas eu não acho que vá ser muito bem recebido nos meus mini-contos de horror, como não fui no conto sobre um homem morto - quase todo mundo que leu (umas 6 pessoas) achou ele confuso e estranho demais, uma até achou ele assustador.
Quem sabe eu possa trancrevê-lo da minha cabeça para a tela branca inóspita do word hoje à noite.
Quem estiver ansioso - ninguém -, pode voltar no meio da madrugada que ele provavelmente estará de pé.
A partir de segunda começa o The Morning Gazette, que eu vou tentar fazer ser o mais breve possível e não pecar em descrever os eventos dos dia anterior e as minhas esperanças para o dia que virá.
Bom dia e boa tarde a todos.
Dias melhores virão, e hão de vir, não se esqueçam.

sábado, 23 de julho de 2011

ESTE É UM CONTO SOBRE UM HOMEM MORTO

Ele correu pela rua estreita e escura, na fria noite.
Acima, o céu o encarava de face nua e sem estrelas.
Aos lados, muros impassíveis.
Abaixo, um chão de negrume tão denso que poderia desfazer-se e engolí-lo.
Atrás e à frente, nada.
Mas ele corria. Não havia nada que o perseguisse mas ele corria.
Eis aí um homem fugindo de si mesmo.
Ele corria e não sentia. Ele corria por inércia, e não sentia.
Ele corria como quem vive e como quem morre.
Ele corria como um idoso que continua a viver e encarar o tempo por puro hábito.
Ele corria como um louco.
Mas há algo além de um homem que corre numa noite escura nesse cenário.
Há fuligem.
Caindo como neve no chão, desaparecendo no ar e no chão, pois até o que respirava era pura escuridão.
A fuligem cobria seu corpo inteiro. Sua roupas, seu rosto, seus cabelos indefinidamente lisos. Um homem sem face numa noite que não parecia noite, mas sim algo mais cruel, mais profundo, mais terrível.
Ele corria, e agora parava. A ruela chegara ao fim.
Diante de si, um muro imponente, negro como qualquer outra coisa naquela noite, armadurado com camadas e camadas de fuligem.
Havia um homem parado agora.
O homem não era um homem.
O que antes corria se encostou de costas na parede e encarou a face sorridente do homem parado.
"Temo que seja tarde demais para você, jovem", ele disse, "Temo que seja tarde demais...".
O outro apalpou a parede, procurando uma saída milagrosa, uma passagem secreta, qualquer coisa que viesse, desde que o tirasse da vista do homem.
Ele o encarava nos olhos, e ele enlouqueceria com aquele olhar.
Um clarão veio no céu, e por um momento ele pôde ver o homem parado - mas ele sabia muito bem que o outro podia vê-lo o tempo todo, claro como o dia.
A face diante dele era a face de alguém que simplesmente não podia existir.
Os anos de um homem se pesam no seu rosto, enrugando-o, destruindo-o, cansando-o.
O rosto do homem que encarava não tinha nada disso. O sorriso infantil de deboche estampava no seu rosto uma satisfação nefasta sob olhos extremamente sábios, e extremamente velhos.
Alguém que sempre esteve e sempre estará.
Nenhum dos tijolos da parede cedeu.
Nenhum herói apareceu.
Não houve nenhum túnel escondido pela fuligem.
Mas aquele breve momento se suspendeu no ar, um momento de compreensão súbita, uma epifania.
Por um segundo, ele viu todos os seus arredores, ouviu todas as línguas, soube todas as profecias.
Por um segundo, ele sabia de tudo que poderia ser sabido.
Por um segundo, ele viu tudo que tinha para ser visto no mundo - nos mundos.
Por um segundo, ele soube de coisas tão horríveis, coisas que nunca deveriam ter sido feitas, ditas, presenciadas ou narradas.
Por um segundo, ele sentiu a loucura.
O segundo passou.
O segundo passou, e ele só podia esperar pela conclusão dos fatos.
O homem sorriu novamente.
Dessa vez, não houve clarão.
Só houve escuridão.
Escuridão líquida, invandindo o seu corpo.

O homem que corria se afogou na escuridão que o cercava.

O homem que corria acordou no escuro.
Numa noite sem estrelas, numa rua deserta.
O homem que corria acordou correndo.

Matheus e a Chuva, o Ar, o Mundo - e coisas que ninguém quer saber.

Não que alguém que se importe, claro, em saber o que eu penso, mas eu assumo que, se você está no meu blog, você no mínimo quer saber de alguma coisa sobre mim - mesmo que seja só para criticar depois.
Se for para criticar, saiba logo que eu adoro discussões.
Eu tenho o péssimo hábito de começar a sorrir toda vez que a discussão fica interessante, quando eu tenho um argumento engatilhado, ou quando eu percebo que encontrei alguém tão teimoso quanto eu - Igor que o diga.
Isso acaba por passar a imagem errada de que eu a) sou muito arrogante, ou b) não tenho mais argumento nenhum.
Alguns talvez se perguntem: "o que demônios isso ai tem a ver com alguma coisa?".
Eu respondo: nada.
Mas é você que está lendo o texto, então, te vira mermão, acha algum sentido ai!
Mudando de assunto, eu estou meio perdido nesse momento. Minhas férias perto do fim, e eu não fiz nada de importante. Aquela vida de day-by-day vai recomeçar e eu vou só assistir.
Seria muito bom, sabem? Viajar sozinho para algum lugar longíquo, de preferência uma lugar de língua desconhecida. Mudar, mudar, mudar. Essa é a palavra de ordem.
Sei que muito de vocês, pessoas com sérios problemas psicológicos, caso já tenham chegado nesse parágrafo sem se perguntar por que raios está lendo essa coisa, talvez pensem que eu só tenho baixa auto-estima, o que precise de uma boa dose de realidade, algo do tipo.
Às vezes eu mesmo me pergunto isso.
Às vezes eu me pergunto se eu realmente quero que alguém leia o que está aqui escrito, ou se eu simplesmente escrevo para algum passante ocasional observar-me bancar o bobo com o mesmo interesse que damos aos mendigos e artistas de rua.
Hoje eu decidi que eu quero ser lido.
Um texto que não é lido é como uma árvore que cai no meio de uma floresta densa sem ninguém para vê-la e ouví-la cair: ela não cai.
Pensei em alguns contos bastante macabros. Pensei n'A Ponte. Pensei em filmes que eu vi, livros que eu li, pessoas que eu respeitei e que me traíram. Pensei nas minhas manias idiotas de me repetir.
De quebrar parágrafos no meio para dar intensidade. De ser uma antítese mal-feita. De pensar-me como tudo e como nada.
De ser eu.

No final das contas, eu quero e não quero que alguém leia esse texto - "nossa, nem notamos pelo título".
Acreditem: ninguém dá a mínima para isso.
Sábado e domingo - viagem.
Segunda - última dia do curso de férias.
Terça - quem sabe, ir numa livraria e comprar um bom livro para ler numa noite silenciosa.
Quarta - quiçá, quiçá, quiçá.
Quinta - deitar na cama e me contorcer por estar na última semana de "férias".
Sexta - talvez estude um pouco, talvez não estude, talvez esteja morto até a sexta (morri de desgosto pela quinta).
Final de semana - "tempo de despertar".
E essa é a minha programação para a próxima semana.
Vai acontecer tudo isso. Não porque eu queira que isso aconteça, mas simplesmente porque vai.
Sou bastante previsível, não é?
A não ser, é claro, que algo mude.
A não ser que alguém diga.
A não ser que eu faça algo de diferente (tomar vergonha e fazer algo de diferente).

"No final das contas, somos todos sobreviventes de nós mesmos.
Lá, nas prisões do finito, ousar ser eterno:
Amor como atalho e labirinto.
Mas, se não estiver morto,
Sonhará porto por perto.
Anoiteça o que anoitecer, coração aberto."
A Coragem do Primeiro Pássaro
André Dahmer

É, um dia, não é?
Quem sabe um dia...